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Crítica, crueldade e espelho - A contemplação do ego.


Vídeos, filmes, youtube, textos, opiniões....
Que aspirações essas em desejar tudo perfeito?
Criticar tudo e todos como se conhecesse um mundo em que a roda não precisa do freio.
Julgar é o comportamento humano mais fácil, mas justificar o julgamento de forma racional e sem o ego é uma tarefa árdua.
Tão árdua que quem sabe fazer, não o faz, mantém silêncio e deixa acontecer a confusão.

Como detesto quem exala a perfeição impraticável como se tivessem a idade da terra.
E que medo tenho do ponderador silencioso, com o olhar ingênuo e semblante passivo.
Não existe nada mais belo do que cada um vê em sua própria mente.
E não tem acabamento melhor do que cada alma anseia.
Não existe justiça tão justa do que o próprio juiz interno de cada um.
É por isso que o defeito é uma constante de tamanho indefinido.
São tantas as indagações para enquadrar o que é justo, como se existisse simetria para tudo.
Uma receita para atingir o perfeccionismo, e quem precisa de tal receita senão aquele que não quer levantar desagrados?
Que pena tenho eu, de quem vive para agradar terceiros. Os outros serão falsos e não cruéis.

E a crueldade sim é perfeita. Ela é a verdade sem vacilar em ser.
Ela é o que é, sem meio termo.
O pouco cruel e o muito cruel, são ambos cruéis sem medidas.
Ela não tem medo de estraçalhar, de impor, desmascarar e fazer sofrer.
A crueldade é pesada, não deixa dúvidas da sua presença.
É autêntica e faz qualquer ego perfeito implorar por compaixão...
O crítico cruel é como um deus sem amigos que não sente prazer na vida. Nada pode o agradar, porque ele usa a realidade incontestável como parâmetro para o completo.
Tão tarde descobrirá que é incompleto, triste e tedioso.
Mas mesmo assim eu respeito o crítico cruel, porque ele sabe como as coisas são e não como deveriam ser. O que não gosto é daquele que almeja a melhor forma e nada sabe de coisa alguma. Vê a verdade nele mesmo para mudar o mundo, mas dentro de si existe uma trava que o impossibilita de mudar seus próprios defeitos.
Mas a crueldade pode fazer o mundo perfeito? Pode parar a inquietação na mente humana? Pode ser o quadro perfeito que cada um crie de si mesmo?

Não, não pode, o cruel só derruba o pano, mostra a carne por baixo da pele.
Mas a perfeição idealizada é conflitante e irreal... E na maioria das vezes ridícula.
Tem quem goste que o mundo gire no sentido anti-horário, a outros que preferem que gire no sentido horário e ainda aqueles que querem que não gire. E independente do querer ardente de cada alma, o mundo gira.

Olhar para o outro é como olhar para um espelho embaçado e sujo.
Olhar para si é como recolher os cacos quebrados do espelho.
Olhar para o mundo é como admirar um cenário confuso, que hora te deixa grande ou pequeno. Distorce a contemplação virtual, e mostra a realidade.

Por: Fernando do Amaral - 26/09/2015 Google+

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