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O tarado de calcinhas.


EU

e minha mulher tiramos um dia das férias para comprarmos roupas. Na verdade, eu pretendia iniciar este texto diferente: Eu e minha mulher tiramos um dia para fazer compras de roupas.
Só que passa um sentido diferente, e mentes férteis terão ideias nudistas com cabide e tudo.

Voltando ao assunto lá estava eu feliz e ela muito mais feliz passando de loja em loja provando e vendo tudo, óbvio que aqui escreveria como é um sofrimento acompanhar mulher nas lojas de roupas e sapatos, mas eu não vou falar sobre isso porque provavelmente ela é minha única leitora.

Digo que é muito divertido passar por 500 e tantas lojas, olhar para os vendedores e imaginar "Pode sorrir esse sorriso amarelo o dia inteiro que ela só vai experimentar".
Existe um sadismo em ver vendedores subindo e descendo escadas para pegar roupas diversas, que no fundo eu sei que ela não vai comprar. Às vezes acontece até uma encenação, ela experimenta olha no espelho da voltinhas, faz cara de alguém que adorou e então diz: “ - Gostei...” Daí faz uma pausa para o vendedor pensar na comissão, e então finaliza: “- Mas não vou levar porque o botão não combina com o perfume que gosto. ”
Ou então aquela frase matadora na seção de peças únicas: “ - Você tem esse número de outra cor“? É claro que não tem, mas ela pergunta só para testar a paciência do vendedor.
Essas coisas sádicas só são legais com ela, porque eu entro na primeira loja e compro tudo por lá mesmo sem perguntar quase nada, se serviu e estiver dentro do orçamento, eu levo.
Quando estou sozinho tento até ser mais rápido medindo o tamanho mentalmente para não ter que ir no provador, isso poupa meu ouvido das ótimas músicas de lojas.

E estávamos no segundo tempo da compra de roupas, com zero de roupa feminina comprada, já tínhamos almoçado tomado uns dois Chopp e iniciamos então as lojas do outro shopping do outro lado da cidade...
Eis que ela encontrou uma roupa a qual não gostou, mas comprou. Pensei vamos afinal embora, mas então ela resolveu ver umas calcinhas e sutiãs e é aí o motivo desse texto.

Loja de lingerie é um pouco desconfortável para um homem. É ali que as mulheradas estão escolhendo o forro da perseguida. É ali que elas escolhem se vão de oncinha de pantera de pimentinha.... Dá para ver nos olhos delas se a lingerie ficará bem colocada, enfim é um lugar para mulheres ficarem à vontade com suas imaginações.
Sendo assim, parece que um enorme inconveniente quando um homem está nesse universo de calcinhas grandes e minúsculas, daquelas que parecem um tapa olho para pirata japonês. Da a sensação que estamos observando a mulherada ver as peças íntimas e pensando umas safadezas.... Não é legal!
Claro que se eu fosse comprar lingerie para dar de presente para ela embrulhar o meu presente, não teria problema nenhum. Mas não era o caso e eu ficar parecendo um tarado no universo das calcinhas.

Por isso disse para minha mulher: “ - Vá lá que eu vou ficar aqui fora esperando. ”

Acontece que eu não sabia o quanto ela ia demorar, fiquei em frente da vitrine tentando um wi-fi e demorei perceber que as pessoas que passavam ficavam me olhando com olhar reprovador.
Talvez fosse porque eu estava atrapalhando a visão da vitrine, pensando nisso, olhei para a vitrine e dei de cara com manequins de calcinha microscópica em posição de venha me comer...

E antes que eu tivesse a brilhante ideia de sair fora dali, ouvi uma dessas quarentonas que pensam ter vinte anos comentar com o garotão ao lado dela:
“ – O cara de pau nem disfarça que está tirando selfie com as manequins.”
Eu é claro que poderia responder algo educadíssimo para ela, mas naquele momento era melhor ficar quieto. São nessas horas que surgem um monte de protetores contra assediadores de manequis, e eu ia ser transformado e um maníaco em cinco segundos.
E minha intuição estava certa, notei uma faxineira que varria o mesmo quadro fazia já um tempo enquanto me olhava desejando dar umas vassouradas.
E decidi sair andando e fazer qualquer outra coisa quando percebi que um segurança caminhava cuidadosamente para o meu lado.

Entrei no primeiro lugar que servia bebida e pedi uma cerveja, estava tão injuriado que nem vi que estava sentado ao lado de um cara que me olhava com curiosidade. Ele empurrou a cadeira para mais perto de mim e perguntou:
“ – Gostosas aquelas manequins ali né? Tenho várias fotos aqui no meu celular.”
Eu não lembro qual foi a última vez em que tomei uma cerveja tão rápido. Paguei, deixei o troco e fui comprar cuecas.

Por: Fernando do Amaral - 07/07/2016 Google+

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