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Eau de Vie.


Era assim em um céu escocês...
Mas que devaneio!
Sou um paulista na estação da Sé ouvindo Nazareth.

Peguei uma garrafa de whisky
e sai pisando no asfalto molhado.
Não era dia nem noite,
mas uma tarde que parece não ter fim.

Vi as pessoas passando por mim,
elas tinham medo da minha jaqueta,
do meu whisky, da minha calça surrada...
Elas comentavam alguma coisa,
sussurrando moralidade entre elas.
Mas quando elas chegam em casa,
vão assistir um filme ou novela,
com personagens iguais a mim.

Eu só quero encontrar alguém para conversar. Esperar a madrugada fria de sábado
ao lado de uma mulher.
Ela não precisa ser bonita,
mas sim boa de cama e de papo interessante.

Sabe como é?
Transar e depois falar de coisas que muitos evitam? Todo homem precisa sentir isso.
Talvez por uma noite, viver.
É tão bom viver assim, que quase posso viciar.
A futilidade hoje, me faz feliz.
E ser feliz é não ter que explicar nada.
Nada precisa ser para sempre
e sempre não precisa ser realidade.

Dias assim que vem e vão,
não precisam de complicação.
Só uma boa dose de qualquer coisa destilada.
Eu sopro uma fumaça e vejo formar uma cortina.
Aqui onde estou o mundo é engraçado.
Mas então lembro que preciso voltar.

Eu vejo pessoas indo para o trabalho.
Parecem formigas sem formigueiro.
Alguns com semblante de gado,
outros com cara de carrasco.
E elas me olham com repulsa.
Odeiam minha jaqueta,
minha calça suja e minha garrafa de whisky.

Sentem nojo de um rosto despreocupado às sete.
Que mundo é este em que ser normal,
é viver de forma estranha?
Que mundo é este em que o anormal,
é apreciado somente nas telas de ficção?
Não sou escravo do antagonismo,
e viver deveria ser gratuito.

Escrito: 29/04/2012 Por: Fernando do Amaral - Publicado: 01/05/2014 Google+

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