.

.

.

Amargura 2015.


Ludibriei meus desejos
por necessidade de ser alguém.
Troquei minhas sensações por poder de consumo.
E tem quem pergunte, se o homem moderno é feliz...

E sabe o que eu odeio?
É gente bem sucedida
que cospe escárnio no sucesso.
Endinheirados da mídia, orientando
que não devemos reclamar do salário mínimo,
da má infraestrutura pública,
dos impostos e corrupção.

Acordo cedo e não tem água para o banho,
mas tem dia feliz que tem água,
pena que não tem eletricidade.
Um banho gelado,
uma roupa amassada e um café rápido.
E que comece o dia, com transporte lotado,
trânsito carregado e um dia cheio de trabalho.

Graças a Deus, parece que vai chover à tarde.
Pena que aquele trecho vai alagar
e vou chegar mais tarde em casa...
Pelo menos,
se um por cento da repressa subir já ajuda.
Essa história da crise da água é uma novidade.

Eu fico triste, parece que só tem novidade ruim.
Música ruim, filme ruim, livro ruim...
Os bons, não são tão divulgados.

E preste atenção,
a internet está ficando pior que televisão.

Ludibriei meus desejos
por necessidade de ser alguém.
Troquei minhas sensações por poder de consumo.
E tem quem pergunte, se o homem moderno é feliz...

E eu até gostava de assistir um futebol,
uma luta uma boa comédia.
Mas não sei, de uns tempos para cá,
tantos os esportistas quanto artistas
parecem que são irreais demais,
parecem não existirem no meu mundo.
Daí eu desligo tudo, e saio por ai com a mente ligada,
pensando em meus motivos para ser afortunado.

Tanta incerteza, tanta corrupção.
A copa, felicidade da Alemanha.
E eu não tenho nada com isso,
meus sete anos de trabalho e economia,
não comprará um bom imóvel.

Que contraste, na campanha todos são cidadãos.
Mas para falar de um governo ruim,
o cidadão ganha adjetivos pejorativos.

Até quando?
É democracia,
então como justificar “esquerda-direita”?
E é aquela palhaçada,
dizem que nação são união e pátria.

Partido não é bandeira.
Partido não é patriotismo.
Partido não representa a nação.
Partido é somente uma comédia triste,
para rir depois da eleição.

E o hino nacional,
não foi feito somente para enfeitar o gramado.

Escrito: 01/02/2015 Por: Fernando do Amaral - Publicado: 11/03/2015 Google+

Leia também: