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Velhos padrões, oh yeah!


Meu caminho é estreito, mas não sigo para o céu.
Parei de fazer o que diziam ser certo,
parei também de contrariar as expectativas.
Agora sou só mais um com opiniões próprias.
Em meu caminho, vi um velho e uma criança.
Eu disse pra ele que não sei para aonde vou,
mas vou para algum lugar
sem penar minha consciência durante a trajetória.

Aquele velho com semblante sério
não entendeu o que eu disse
e preferiu me julgar com seus padrões morais.

Velhos padrões, oh yeah!

A criança me pediu um doce,
mas ela esta em uma época
em que não deveria saber de tal coisa.
- Criança, por que quer viajar?
Ser criança já é uma viagem!

Mas com lágrima nos olhos
ela disse que nenhuma criança existe na metrópole.
Disse que a infância é uma caixa de imagens
com sonhos que não se podem tocar.
Os adultos se emocionam
e riem de imagens animadas
e esperam que crianças sejam iguais.
Na metrópole a criança é uma miniatura
de padrões comportamentais adultas.

O velho não podia ouvir a criança e me condenava
dizendo que eu ia queimar no inferno.
Como pode preocupar se com o meu destino
e não dar atenção aos sentimentos
da criança ao seu lado?

Velhos padrões morais do que eu não posso fazer.
Coisas certas e erradas
que tormenta a mente do velho
estão o deixando cansado,
ele já não consegue mais ver
ou ouvir aquela criança.
Tudo o que vê, é uma lista de erros
e uma recompensa invisível, no final da lista.

Eu cansei de ouvir o sermão,
olhei para a triste criança e vi no semblante dela
o medo de um dia ser velho também,
então disse adeus e voltei a caminhar.
O velho me disse,
não vá por esse caminho que você vai se perder.
Olhei confuso para a criança e ela me disse.
- Não me importo com o caminho que escolher,
apenas me leve com você.

Peguei na mão da criança e a puxei,
pela primeira vez eu a vi sorrindo e
o velho fez uma carranca,
mas não teve força para reagir.
Então eu vi meu próprio sorriso,
acordei olhei para o espelho.
Lembrei-me de como eu era
quando eu tinha 10 anos.

Meu caminho é largo, mas não sigo para o inferno.
Parei de fazer o que diziam ser certo,
parei também de contrariar as expectativas.
Agora sou só mais um
com mais perguntas do que respostas.

Escrito: 04/07/2001 Por: Fernando do Amaral - Publicado: 31/03/2015 Google+

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